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dossiê
FAMÍLIA DO BARULHO

Sinai, o signo da música
Por A.M.

Um médium que Helena Ignez e Rogério Sganzerla estavam consultando no Rio de Janeiro, nos anos 70, sugeriu o nome Sinai para a primeira filha do casal, prevendo que ela seria muito ligada à filosofia do ioga. Era tudo verdade. Segundo a família, o nome tem origem essênia (da ordem religiosa dos tempos de Cristo, composta de cerca de quatro mil homens de vida ascética).

Mas foi por influência dos avós maternos, de Salvador, amantes da boa música, que Sinai Sganzerla encaminhou seus estudos para a musicoterapia (desde 1972 esse é um curso regular no Brasil, englobando música, psicologia e medicina). Ela também compõe trilhas sonoras para teatro e cinema e atualmente recorre a instrumentos indianos para a música do filme “O Signo do Caos”, dirigido pelo pai e com a mãe e a irmã Djin no elenco. Para ela, “não há aí diferença do trabalho normal numa equipe de teatro, que sempre acaba se tornando um trabalho em família”.

Além disso, Sinai estuda psicanálise e trabalha no hospital psiquiátrico Nise da Silveira, no Rio. “A musicoterapia utiliza a música como um meio de expressão do psíquico”, explica. Mesmo com seu conhecimento sobre as causas de mundos psíquicos paralelos, como poderia ser classificada a sétima arte, ela considera que o cinema brasileiro não é uma coisa feita por gente mais doida que a média do mundo. Em sua opinião, o melhor filme de seus pais continua sendo “O Bandido da Luz Vermelha”.

A.M.
Alvaro Machado é jornalista, colaborador da "Folha de S. Paulo" na área cultural, autor de "A Sabedoria dos Animais" (ed. Ground), tradutor de “A Linguagem dos Pássaros” (ed. Attar) e organizador dos catálogos "Mestres-Artesãos" e "Folias Guanabaras". Edita a revista cultural eletrônica “Opera Prima” (www.opera-prima.com).

 
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