2

Em 2005, ao entrarem no pavilhão alemão da Bienal de Veneza, os visitantes foram recebidos com uma frase em uma performance de um grupo de pessoas "x", contratadas para seguir instruções dadas por Tino Sehgal: "Isso é tudo tão contemporâneo, tão contemporâneo, tão contemporâneo". Como em trabalhos anteriores, o artista lançou aquela frase encenada por meio de uma movimentação-relâmpago no espaço, uma espécie de coreografia minimalista. "Isso tudo" espelhou a mediocridade de uma realidade repetida ("tão... tão... tão...") portanto blasée.

Em comparação, o “moderno” (entendido aqui como estilo e não como período) sai enriquecido porque qualificado. A célebre frase de Mario Pedrosa, de que “o Brasil é um país condenado ao moderno” deveria então ser atualizada para uma avassaladora contemporaneidade?


Tradução de Lucia Speed


Publicado em 14/6/2009

.

Lisette Lagnado
É crítica de arte e professora do Mestrado em Artes Visuais da Faculdade Santa Marcelina, integra o Conselho Consultivo de Arte do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP) e é editora de Trópico e da seção "em obras" desta revista. Foi curadora da 27ª Bienal de São Paulo e coordenadora do Arquivo Hélio Oiticica (Projeto HO e Instituto Itaú Cultural). Publicou "Leonilson - São Tantas as Verdades" (DBA), entre outros livros.

 
2