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E é cortado bruscamente por Melanchta: “Nunca interrompa assim seus pensamentos ao expressar sentimentos, Jeff Campbell”. O narrador mostra um talento genuíno ao organizar os fluxos verbais com vivacidade, criando um campo de grande potência emocional. Dessa vez Jeff é quem aprende tudo com Melanchta e acaba partindo, sem olhar para trás. Livre, Melanchta vai á igreja e conhece Rose Johnson, um tipo simplório. Simultaneamente começa a relacionar-se com um escroque, Jem Richards, por quem se apaixona. Finalmente, é abandonada pelos dois. Apreciamos a prosa excelente de "Três Vidas", mas sabemos que "Melanchta" não foi “o primeiro passo definitivo na literatura, para fora do século XIX e para dentro do XX”, como quis G. Stein em "Autobiografia de Alice B. Toklas". A ficção não caminhou no sentido que G. Stein imaginava. A ambição de fazer na literatura a revolução que o cubismo fez na pintura não se realizou. Gertrude Stein não avançou no discurso indireto livre, como fez Virgínia Woolf em "Passeio ao Farol" (a levarmos em conta o magistral ensaio "A Meia Marrom", de Erich Auerbah, incluído em "Mimesis"). Gertrude teve que se haver com o gênio e a monumentalidade de Marcel Proust e de James Joyce. Muitas de suas teorias e profecias jamais se cumpriram. Mas seu blablablá continua fecundo e inspirador. Buda continua no parque, em tranquila meditação, em sua lenta revolução. Todo mundo ainda ama Gertrude Stein.
. Heidi Strecker É crítica literária, autora de "Cinema: Emoções em Movimento" (ed. Melhoramentos) e "Análise de Texto" (ed. Atual). |