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Goifman: Não. No “FilmeFobia”, teremos distribuidor. Existe uma coisa, que o Jean-Claude falou outro dia num debate, de que ele sente falta que existam no Brasil distribuidores capazes de ver um filme como “FilmeFobia”, que tentem entender o tamanho dele. Filmes que, se tivessem um tipo de investimento inteligente, talvez maior do que o aspecto financeiro, pudessem trabalhar uma política na contramão do primeiro fim de semana do público.

O que arrebenta, não só os meus filmes, mas uma boa parte desses documentários ou mesmo ficções de baixo orçamento no Brasil, é essa questão do primeiro fim de semana. Porque eles (os lançamentos tradicionais) vêm a partir de uma propaganda maciça, de milhões. Enquanto que o velho boca-a-boca demanda tempo.

“33”, hoje em dia, tem uma saída de DVD muito legal, participa de coisas das quais eu achava que seria acusado. Você tem seminários de adoção no Brasil inteiro que usam (o filme), se interessam, pais adotivos querem... Adoção é um fenômeno no Brasil. É uma coisa que não se fala, mas há uma grande quantidade de filhos adotivos. Todo mundo conhece alguém, ou é, ou tem parente adotivo. Isso mantém “33” vivo ainda.

Até pelo que o Jean-Claude falou, talvez faça falta um tipo de distribuidor que tente entender qual o tamanho desse filme, o número de cópias, que diga: “Ah, não vamos entrar com 20 cópias, vamos entrar com menos, mas que sejam cópias pensadas para lugares estratégicos”. A partir, por exemplo, do que falei, de uma ação de internet, de percepção de que tipo de comunidade pode se interessar por aquele filme.

Aí eu me sinto bem igual a todo mundo, talvez um ou outro tenha mais dinheiro para fazer um lançamento maior. Eu acho, do fundo do coração, que meus filmes têm um público. E que talvez a gente precise –não só eu, mas os produtores– entender como chegar a esse público com os distribuidores.


Falta diálogo com eles?

Goifman: Tenho recebido contatos recentes, até de pessoas interessadas em distribuir o filme. O que eu acho é que faltava, num certo momento, um olhar com atenção para esse tipo de filme: se ele tem uma linguagem diferente, se é um documentário, que tipo de público pode se interessar por ele. Acho que falta um pouco essa reflexão. Mas estou sentindo que tem uma galera, de pequenos distribuidores, que está começando a pensar nisso.

Se esse pequeno distribuidor ganha um edital da Petrobrás de R$ 400 mil para fazer a distribuição, o que para um filme pequeno é bem bacana, ele não vai fazer 50 cópias. Porque se ele faz 50 cópias do filme, ele já gastou mais da metade do dinheiro em cópias. Então tem pessoas que estão começando a pensar nisso. Aspiração de um superpúblico eu não tenho. Adoraria ter. Mas acho um pouco distante do tipo de cinema que faço.


Publicado em 9/2/2009

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Fábio Fujita
É jornalista.

 
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