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Golias: Bom, aí tem até uma coisa... Eu nunca soube com muita certeza se a moça estava rindo para mim ou de mim. As mulheres, por exemplo, na platéia. Eu sempre me guiei pela reação das mulheres. Eu sempre trabalhei com o público, na frente. E a mulher é que te permite fazer um humorismo um pouco mais adulto, um pouco mais picante, desde que seja contado com muita categoria e com muita classe. Saber colocar as palavras e tomar cuidado com os gestos. As mulheres são muito mais engraçadas que os homens. E as crianças se identificam comigo, com a minha maneira de andar. Quando eu brinco com uma criança, é difícil ela não rir. Então, eu respeito, porque acho que isso é uma missão.
Golias: Meu humor tem muito de reação infantil. Na “Escolinha do Golias” tem a parte que explica que “hoje” é com “h”. O Pacífico pergunta: “Mas por que ‘h’? Se você, pra falar hoje, põe um ‘h’ na frente, então tem que primeiro fazer ‘hhhhhhhhhhhh’ para depois fazer ‘ôje’. Agora se você fala ‘hoje’, olha a boca, tá redonda, é ‘Ô’.” Ele faz essas coisas. “Pra mim isso está muito complicado, e eu quero falar com o conselho da escola!” E a turma dá risada.
Golias: O Chico Xavier recebeu duas psicografias de Castro Alves apontando o Brasil como o país do futuro. E a gente percebe que o Brasil tem tudo para ser uma potência.
Golias: Bom, eu falei de um nome para você que é respeitadíssimo no país. E eu me dou muito com o Chico Xavier, e me convenceu plenamente a psicografia que ele recebeu do Castro Alves.
Golias: Eu já fiz. No Bronco que eu fiz na Bandeirantes, de repente, apareceu o (espírito do) pai do Bronco, o avô, com um cabelão grande, aqueles ruídos...
Golias: Ahn?... (silêncio) Tem. Por exemplo, quando eu vejo uma casa que está lotada de coisas, de bibelôs, prego na parede… Você não pode nem andar. Isso me irrita. Eu gosto de espaço.
Golias: Muito. Mas eu uso pouca coisa. Eu uso quase nada dentro de casa. (O apartamento em que concede a entrevista praticamente não é mobiliado.)
Golias: Você está satisfeito?
Golias: (Enumerando) Olha: venho de uma origem humilde e muito me honro disso. Muito humilde. Não é preciso muito para ser feliz. Eu tenho tido muitas alegrias. Claro que eu sou sensível aos problemas do mundo. O problema das pessoas que têm suas aflições, e eu costumo, no meu pensamento, desejar o mesmo que eu desejo para minha família. Eu penso em todos os bebezões, em todas as bebês, bebezonas. Eu torço para que todo mundo vá bem. Agora, por exemplo, nós já estamos começando a chegar perto do Natal... (a entrevista foi concedida em setembro)
Golias: Uma vez, uma coisa engraçada... Eu morava num fundo de terreno, um quartinho pequeno. Nós éramos em cinco, dentro de um quarto, a casa com uma cozinha pequenininha e tal. Meu pai mandou pôr uma pêra, aquela que acende a luz, e colocou ao lado da minha cama. E eu achei que aquilo era um progresso fantástico da tecnologia. E aí eu colocava uma cadeira ao lado da cama para pôr minha calça, minha camisa. E uma noite, eu acendi a pêra, e a gente estava vivendo uma época com muita dificuldade. E tinha um rato em cima da cadeira, e ele ficou olhando para mim. Olhou para mim e balançou a cabeça, assim, como quem diz: “Ô cara, você não tá numa boa, não? Isso aqui tá ruim... Eu não quero nem queijo, eu vô embora. Boa sorte.” Ele desceu devagarinho e foi embora. Parecia desenho animado, viu? (risos). . Rafael Vogt Maia Rosa |