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Se muitas das obras dessa seção mostraram como os artistas podem oferecer propostas subjetivas a respeito de lugares específicos por meio de estratégias topográficas, a seção “América Latina”, organizada pelo grupo de artistas Apporea, revelou o que acontece quando esse filtro subjetivo é removido. Numa peça museológica intitulada “Expondo o Imperialismo e a Guerra dos EUA”, eles apresentaram fotos e prazos jornalísticos para comprovar sua tese, sugerindo que os artistas que tentam retratar um ponto de vista parcial estão simplesmente fazendo propaganda indulgente.

Quando a fadiga se instalou e eu me vi dividida entre assistir aos vídeos corretamente e tentar chegar até a conferência seguinte, ficou difícil não refletir sobre o óbvio: será que maior é melhor? Apesar da risadinha coletiva que o mundo artístico parece compartilhar a respeito da proliferação das bienais, a coisa não pára. Não apenas surgem mais e mais bienais, como mais curadores para cada uma, mais países representados, mais temas, mais artistas, mais discussões sobre o futuro das bienais, mais locais, mais grupos de alunos e visitas guiadas de colecionadores passando por suas portas.

No entanto, parece evidente que mais não quer dizer melhor _mais mídias empregadas em uma única obra, mais projeções de vídeo lançando sombra sobre tudo em sua esteira. Quando grandes quantidades de obras são acumuladas e empilhadas na esperança de que pelo menos alguns fios de sentido emergem delas, me encontro ansiando por uma exposição menor, mais concisa e mais coerente, com uma voz curatorial única, até mesmo autoral.


Copyright da revista “Frieze”, onde este artigo foi publicado originalmente.

Tradução de Clara Allain

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Christy Lange
é editora-assistente da revista "Frieze"

 
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