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André Malraux, por exemplo, diz coisas sobre as artes plásticas que para mim são uma maravilha. Tempos atrás, vi um documentário sobre Leonard Bernstein, que mostrava ele ensaiando a “Canção da Terra”, de Mahler. Era um filme fantástico! Em nenhum momento ele falou de tonalidade, mas falou de quanto a morte é terrível para ele. Ao acabar de ver aquilo, eu ouvi de novo a música, e foi impressionante como eu a recebi: era uma mensagem de morte. E Bernstein não fez nenhuma crítica musical. Agora, se você diz: “Aqui começa um tema, no terceiro compasso…”, nesse caso, você não está dizendo nada.

(Publicado em 22/1/2007)

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Humberto Pereira da Silva
É professor de filosofia e sociologia no ensino superior e crítico de cinema, autor de "Ir ao cinema: um olhar sobre filmes" (Musa Editora).



 
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