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audiovisual
FOLHETIM
O último capítulo "Belíssima" provocou pouco o espectador e teve um desfecho longo e inverossímil O sinistro André Santana, o personagem de Marcelo Antony poderia ter balbuciado o nome “Sílvio de Abreu” ao indicar, em seu leito de morte, o mandante-mor dos crimes que ocorreram durante a novela que se encerrou na sexta-feira (7/7/2006). A revelação traria graça a um último capítulo longuíssimo e pouco verossímil de “Belíssima”, novela que obteve bons índices de audiência, mas provocou pouco. Fuga de vilão em último capítulo não é novidade. A banana que a personagem de Reginaldo Farias deu para o Brasil de dentro de um avião em que fugia com a mulher assassina e algumas malas de dinheiro em “Vale Tudo” é antológica. Em plena Nova República aquele final repercutiu, afinal a redemocratização não realizava o que prometera. A fuga de Bia Falcão apenas repete o movimento, em uma citação que não retém o tom premonitório da antecessora. “Vale Tudo” introduziu o tema da corrupção que domina a política brasileira até hoje. Talvez um final análogo, hoje, devesse dar voz à indignação latente, que não encontra espaço para se manifestar contra a impunidade. Suspense é comum em final de novela. A divulgação de diversos finais possíveis também. Suspense de novela, porém, é diferente de suspense de romance ou cinema, que são obras fechadas. Novela não permite as intrincadas tramas recheadas de fios que correm em paralelo ao longo de histórias lineares com começo, meio e fim. Final de novela é abrupto. Revelações dependem de artifícios de última hora, caso de “Belíssima” em que a aparição de uma nova personagem, testemunha que não existia -a vizinha dos pais adotivos da criança perdida é que revela a verdadeira identidade de Vitória (Claudia Abreu). Gênero de ficção aberta, herdeiro do folhetim, a novela se individualiza não no início ou no final, mas em trajetos em larga medida imprevisíveis, improvisados, sujeitos às mais diversas intervenções do universo extra-diegético. Mais do que de um roteirista capaz de inventar tramas de suspense com pontos de viradas e dissimulações calculadas, a novela depende de autores capazes de catalizar os mais diversos elementos, internos e externos à narrativa, em torno de personagens relativamente bem construídos e interpretados. Não é no thriller que Sílvio de Abreu se destaca. Nem é o thriller que o espectador procura na novela. É o posicionamento de cada personagem frente à dificuldade de viver junto o rame-rame cotidiano que fascina o espectador. Esse painel é extenso. A alusão à chanchada, o tom cômico pouco naturalista de diversos personagem caracterizam o autor. Não por acaso personagens nessa chave, interpretados por grandes atores, funcionaram bem. O núcleo das vedetes, fartamente homenageadas, no final rendeu. Reynaldo Gianechinni, Cacá Carvalho, Claudia Raia, Lima Duarte, Irene Ravache e Carolina Ferraz garantiram a comédia na novela. Pascoal e Safira, o borracheiro e a gostosa mãe de muitas famílias, asseguraram o melhor do último capítulo. “Belíssima”, como as novelas que a precederam, se distancia da política e de referências explícitas ao Brasil. O social está presente em mensagens afirmativas pontuais, que garantem o tom correto das narrativas. A estrutura de produção que permite a escrita enquanto a novela está no ar é que dá a especificidade da novela. O roteiro é a peça-chave nessa engrenagem que articula os mais diversos elementos dentro e fora da narrativa, em um paradigma que se aproxima da rede. Se a novela mantém algum interesse, ele está nessa estrutura pré-interativa de roteiro, que permite assimilar uma gama diversa e eclética de referências -e de abordagens provocativas. . Esther Hamburger
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