2


Como a visão do presidente Bush a respeito da religião transformou a maneira pela qual os Estados Unidos conduzem a política e a economia tanto internamente quanto com o resto do mundo?

Taylor: Nos últimos anos, o cenário político nos Estados Unidos foram transformados pelo que eu chamo de nova direita religiosa, que surgiu quando os protestantes e católicos conservadores uniram forças, entre o final dos anos 60 e o início da década de 70. Os temas mais importantes eram o aborto, as orações nas escolas, a teoria da evolução e o Judiciário federal.

Esses temas ainda orientam uma grande parte da agenda de Bush. É importante entender que os protestantes conservadores sempre foram capazes de perceber como as novas tecnologias podem ser usadas para espalhar a sua fé. Isso começou com a imprensa e se disseminou pelo rádio e a televisão e agora alcança também a internet. Essa astúcia tecnológica gerou um enorme poder financeiro e político. Não há nada que seja páreo para isso na esquerda.


Como devemos entender o mundo depois dos atentados de 11 de Setembro? Como o senhor entende a idéia de “terrorismo”?

Taylor: Como sugeri anteriormente, o terrorismo é um fenômeno caracteristicamente pós-moderno, uma reação ao crescente poder do capitalismo global. O terrorismo é baseado numa ideologia de oposição, que joga o bem contra o mal. O que faz essa ideologia tão perigosa é o fato de o mundo estar cada vez mais interconectado. Quando se tem uma ideologia de oposição num mundo formado por teias e redes, os resultados podem ser desastrosos.


Com que olhos o senhor vê o futuro?

Taylor: Para ser bem honesto, é difícil ser otimista em relação ao futuro. Os problemas que enfrentamos são grandes e há pouca boa vontade em reconhecê-los ou empenho para solucioná-los. Acredito que as questões mais críticas no século XXI serão as ambientais, e em nenhum outro lugar do mundo isso é tão evidente quanto no Brasil. A destruição da floresta tropical ameaça a vida no planeta. As teias nas quais estamos emaranhados não são só a internet e o capital global, mas são também as teias naturais, que uma vez danificadas não podem mais ser reconstruídas. Estamos nos aproximando rapidamente do ponto de inflexão, que pode também trazer uma grande destruição.


Para encerrar nossa conversa, como o estudo da religião pode ajudar na resistência ou criar alternativas à situação política, econômica e religiosa atual?

Taylor: Pensamento e ação, teoria e prática, estão inseparavelmente relacionadas. Precisamos desesperadamente de uma compreensão de mundo que nos permita entender que tudo é co-dependente e co-evoluiu. Se continuarmos como estamos agora, é difícil imaginar algum futuro.

.

Tradução de Tiago Chiavegatti

(Publicado em 22/6/2006)

.

Claudio Carvalhaes
É doutorando na área de teologia, liturgia e artes no Union Theological Seminary e Universidade Columbia. É autor de "Transgressões: Religião, Performance e Arte" (ed. Emblema). Site: www.claudiocarvalhaes.com.br

 



 
2