Assim, Belo Horizonte e Porto Alegre exibem mais do que a saudável descentralização dos serviços culturais. Mostram o deslocamento da vanguarda da atividade museológica através dessas duas iniciativas vigorosas. Como se fosse um laboratório onde se experimenta o modelo de museus do futuro, Pierre Catel pontifica: "O museu é hoje mais que um departamento. É praticamente um estabelecimento com múltiplas atividades, portanto múltiplos perfis de competência. E penso que isso irá adiante, vê-se bem que o museu se organiza como uma sociedade, que deve responder a demandas (...) uma demanda de público que é muito variada, que muda muito, e que não é necessariamente pedagógica (...) ou somente pedagógica. Mas é, sobretudo, uma variedade de demandas possíveis e imagináveis. Por outro lado, um museu, na sua forma de vulgarização e de difusão, suscita um espaço de sociabilidade que convoca outros especialistas; percebe-se que não há mais um perfil exato: há um excelente gerente à frente de tudo e há um espírito de equipe muito bom dentro do museu".
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Carlos Alberto Dória
É sociólogo, doutorando em sociologia no IFCH-Unicamp e autor de "Ensaios Enveredados", "Bordado da Fama" e "Os Federais da Cultura", entre outros livros.
1 - Catel, Pierre., "Museu de Artes e Oficios. Belo Horizonte: afinal, como nascem os museus?", "História, Ciência, Saúde – Manguinhos", volume 12, págs. 323-38, 2005.