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entrevista
CSS
O novo barulho do pop ![]() A banda Cansei de Ser Sexy, que está lançando seu primeiro CD
Tod Seelie/Divulgação A banda Cansei de Ser Sexy tira o mofo da música brasileira com o seu aguardado primeiro álbum Com dois anos de existência, a banda paulistana Cansei de Ser Sexy se tornou uma das mais cultuadas da cena “indie” brasileira sem gravar um só CD. Pois bem: a ansiedade dos fãs terminou. O grupo acaba de lançar “Cansei de Ser Sexy”, seu primeiro álbum. Formada em outubro em 2003 pela guitarrista Ana Rezende, Cansei de Ser Sexy começou como uma brincadeira entre amigos: dos integrantes da formação original, somente Adriano Cintra, baterista e único homem da banda, sabia tocar, direito, um instrumento. Desde então, o grupo só cresceu. No final do seu primeiro ano de formação, a CSS, como é chamada pelos fãs, colocou no site da Trama Virtual (braço da gravadora Trama que permite a bandas novas e independentes disponibilizarem suas músicas para download) a gravação de “Ódio, ódio, ódio, Sorry C.” e, logo em seguida, de “Meeting Paris Hilton”. Ambas ficaram diversas semanas no primeiro lugar do top 10 do site. Era o início de um burburinho em torno do CSS. Críticos de música, tanto nacionais quanto estrangeiros, não paravam de se interessar pelo Cansei de Ser Sexy. Em agosto deste ano, uma reportagem de Peter Culshaw no jornal britânico “The Observer” apontava a banda como uma das melhores que surgiram na América do Sul. A cada show, marcado pela energia do grupo no palco, o CSS ganhava fãs que, ao término das apresentações, corriam à internet para realizarem o download das canções escritas pela performática Lovefoxxx, vocalista da banda. Se essa prática vai continuar, mesmo com o lançamento do primeiro álbum, a guitarrista Ana Rezende é categórica: “Seria muita hipocrisia de nossa parte não permitir mais isso”. O auge (até agora) da banda aconteceu quando o CSS foi um dos convidados a tocar no Tim Festival, em novembro de 2004, ao lado de nomes como PJ Harvey, Soulwax e Pet Shop Boys. Foi a partir desse momento que a brincadeira passou a ser levada mais a sério. Nesta entrevista à Trópico, Lovefoxxx (vocal), Ana Rezende (guitarra) e Carol Parra (bateria e guitarra) -os outros três integrantes da banda são Luiza Sá (guitarra), Ira Trevisan (baixo) e Adriano Cintra (bateria)- contam qual a expectativa em relação ao primeiro álbum, comentam a influência da internet na meteórica carreira da banda e definem o que fazem: música pop. “Mas não o pop comercialmente viável aqui no Brasil, como Jota Quest”, alerta Ana Rezende. * Em um site de vendas da internet, o primeiro álbum de vocês é descrito como “imperdível” e, antes mesmo de lançá-lo, críticos de música, tanto brasileiros como internacionais, soltavam notas a respeito da banda. Vocês sentem algum tipo de pressão por conta desse barulho que fazem em torno do Cansei de Ser Sexy? Ana Rezende: Existe, na verdade, uma ansiedade. Como muita gente ficou falando da banda, a maioria das pessoas tem idéias preconcebidas em relação a tudo o que fazemos. Pouca gente vai lá e ouve a música. Agora, com o CD, acho que vai ser um adianto nisso: as pessoas vão pegar o CD, ouvir a música e, pelo menos, ter uma idéia do que fazemos. Lovefoxxx: Não me sinto pressionado em relação ao que as pessoas escrevem. Na verdade, acho que são os outros que ficam mais ansiosos. Ficamos felizes quando sai alguma matéria bacana falando da banda.
Ana Rezende: Não temos idéia, porque nunca lançamos um CD. A gente não sabe o que acontece. Espero que as pessoas ouçam, espero que possamos viajar com ele... Carol Parra: Queremos fazer muitos shows, viajar, conhecer novos lugares... Lovefoxxx: Todo mundo que trabalhou no disco está muito feliz com o resultado. Então, eu não estou preocupada, não estou tensa, não estou com medo e estou segura. Além disso, se eu gostei do resultado. Então, ótimo!
Ana Rezende: O show é bem diferente do CD. E isso é muito bacana, pois tanto o CD quanto o show estão legais... Carol Parra: Mas o CD veio do show... Fizemos arranjos das músicas para tocar em shows. Quando resolvemos gravar um disco, pegamos o que estávamos fazendo nas apresentações e gravamos. É bastante diferente do que era a banda no começo. Foi algo que foi acontecendo: fomos organizando e nos aperfeiçoando. Foi até natural a gravação do disco.
Ana Rezende: No começo, o som da banda era algo muito tosco, muito primário. Mas, depois, várias coisas foram acontecendo: formatamos um show que é próximo do que apresentamos hoje, a Carol Parra entrou na banda, tocamos no Tim Festival. Percebemos que tínhamos músicas legais, que temos um show bacana, que temos capacidade. Carol Parra: Fizemos os próprios arranjos. A maioria das músicas que já eram tocadas no show tinha uma estrutura básica que o Adriano (Cintra, produtor e baterista) fez. Durante muito tempo, nos ensaios, tocávamos guitarra em cima das bases eletrônicas e de alguns efeitos sonoros que ele tinha feito em cima da música. Na hora em que a gente foi gravar o disco, as coisas já eram do jeito que eram...
Carol Parra: A indústria fonográfica está completamente perdida. Eles estão querendo, a qualquer custo, boicotar qualquer atitude que seja de iniciativa das pessoas, como, por exemplo, colocar uma música na internet e fazer um download. Ana Rezende: Por isso foi muito legal ter assinado com a Trama, que incentiva essa prática. Está acabando o modelo antigo e está surgindo um novo, muito influenciado pela internet. Se isso vai funcionar, se isso vai se estabelecer como um novo modelo de gravadora, não sabemos, porque somos também uma experiência dentro da Trama. Carol Parra: O que me deixa mais feliz aqui na Trama é que eles estão experimentando tanto quanto a gente, entendeu? Lovefoxxx: E nos sentimos muito bem ao participar disso, porque é o que a gente faz, foi o jeito que conhecemos a música. Vamos continuar disponibilizando nossa música na internet. Não é porque lançamos um CD agora que vamos parar com essa prática. Ana Rezende: Seria muita hipocrisia de nossa parte não permitir isso.
Ana Rezende: Quando assinamos com a Trama, saiu uma notícia que perguntava: “Como as pessoas vão ter interesse no CD real, se a banda já estava estabelecida como algo virtual?”. Para nossa surpresa, houve uma pré-venda num site e foi superbem. Não tenho idéia de quanto vendeu, de quanto vai vender, não acho que vamos vender um milhão de cópias, mas acho que baixar música na internet e comprar o CD são duas coisas bem diferentes. Para mim, podem coexistir.
Ana Rezende: Eu tenho um pouco de orgulho da gente por causa disso. Nosso primeiro clip está indo para a MTV agora. Nunca fomos procurados por algum canal de televisão e tocamos na rádio umas três vezes. Tudo que aconteceu com o CSS foi por meio da internet, das notícias impressas e pelo boca-a-boca. Buscamos informação, tanto na internet quanto no jornal. Se você pega o jornal, você tomou a iniciativa de buscar informação. Se você entra na internet para buscar qualquer coisa, é você quem está partindo para a ação. Com a televisão e o rádio, a única iniciativa que tem é de ligar esses aparelhos e pronto. Ou seja, a melhor coisa que temos é uma base de fãs interessadas em informação, não só na gente, mas também em coisas legais.
Lovefoxxx: Há letras que são mais sérias, como a da música “Fuck off is the only thing you have to show”, mas não é nada muito intenso, não é para mudar a vida de ninguém. É uma coisa divertida, gostosa. Por exemplo: “Let´s make love and listen death from above” é uma das minhas preferidas. Eu fiz essa letra porque eu amo a banda Death From Above (banda canadense formada pelo baixista Jesse Keeler e pelo baterista-cantor Sebastian Granger) e quem procurar algo sobre esta banda, vai chegar a essa música e poderá conhecer a gente.
Lovefoxxx: Há seis pessoas na banda e cada um gosta de uma coisa. Somos muito influenciados por assuntos. Quando estamos juntos, não falamos para o outro qual o disco que compramos para ouvir em volta de uma fogueira (risos). Vamos para o bar e ficamos conversando. Ana Rezende: Tudo é influência e a nossa convivência é a maior influência. Carol Parra: O bacana também é que cada um também tem uma história diferente. Eu tenho 27 anos, a Lovefoxxx tem 21. Já é uma outra geração. Tenho influências diferentes: quando ela tinha 12 anos, ouvia Spice Girls; eu, com 12, gostava dos Menudos.
Ana Rezende: Vamos estar na seção de pop/rock nacional de uma loja de CDs. Mas não sei te dizer qual o nosso estilo musical: talvez seja pop, mas não o pop comercialmente viável aqui no Brasil, como Jota Quest.
Lovefoxxx: Diversão! Pop não precisa ser música pop. Pode ser algo brilhante e divertido. Beyoncé é pop! Supla é pop! A Paris Hilton é pop! O Japão é pop! Ana Rezende: A gente adora cultura pop em geral, qualquer coisa desse tipo. Porque é muito interessante ver como a cultura encara as chamadas celebridades. É interessante e engraçado observar a reação das pessoas em relação a tudo isso.
Lovefoxxx: Eu tenho um pouco de medo de colocar música no comercial, em novela, por exemplo. Dá uma preguiça e tenho vontade de dizer “não”. O mesmo acontece quando nos convidam para participar de algum programa de televisão. Morro de preguiça! Você tem que estar lá, bonito, e as pessoas vão ficar de olhando e vão falar de você no blog delas depois. Ana Rezende: Novela é diferente. O auge da fama no Brasil é você colocar uma música na novela e depois aparecer no Gugu e no Faustão, e isso nunca foi nosso objetivo. Carol Parra: É algo também perigoso. É bom ser famoso e ganhar dinheiro? Claro que é! Mas também tem o outro lado: não somos uma banda com um padrão pop que se encaixa nisso. Eu fico com medo porque eu não sei o que pode acontecer. Queremos que a banda tenha sucesso, mas do nosso jeito. Lovefoxxx: Eu quero viajar e fazer show. E não viajar e fazer uma participação na novela.
Carol Parra: Não temos um movimento. A gente é que se move! Ana Rezende: Na real, o CSS era superbem aceito por todo mundo: funkeiro, metaleiro... Mas, depois do Tim Festival, começamos a aparecer demais e metade do povo começou a nos odiar. Carol Parra: Isso acontece aqui no Brasil porque existe essa cultura de que ou você é famoso e vai ao Gugu ou você não é nada e somente um grupo pode saber que você existe. As pessoas mais jovens não têm essa mentalidade; isso é mais das pessoas com quase 30 anos. . Alan de Faria
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