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Na percepção de outro analista, o professor Sergio Berenztein, do departamento de ciências políticas da Universidade Torcuato di Tella, nestas eleições “não há grandes temas para debate”, e sim uma luta pela liderança do justicialismo, com as esposas de Kirchner e Duhalde na disputa pela vitória dentro de uma mesma linha política. O sr. concorda com esse diagnóstico?

Burdman: Principalmente na Província de Buenos Aires, isso é assim. Mas não creio que seja essa apenas uma eleição sobre a liderança do peronismo: acredito, também, que se trata de uma eleição sobre a reorganização da oposição. Dependendo dos resultados relativos de cada uma das forças não-governamentais (o peronismo antikirchnerista, a UCR, a centro-direita, a centro-esquerda), se desenhará o perfil do cenário eleitoral de 2007 (quando será escolhido o sucessor do atual presidente, o justicialista Néstor Kirchner). Por isso a ansiedade de setores da oposição, fragmentada, em se destacar na corrida eleitoral.


É possível ser um bom político sem ter experiência? Ou a Argentina (bem como o Brasil e outros países da região) necessita de políticos mais preparados e com longa carreira pública?

Burdman: Nossos países têm déficit de funcionários e especialistas de carreira pública, e superávit de improvisadores. No entanto, a inserção desses candidatos midiáticos no sistema político dependerá deles mesmos, de seus desempenhos e da capacidade de obter credibilidade. Não vejo mal nenhum em que se candidatem.

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Denise Mota
É jornalista. Vive em Montevidéu.

 
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