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Para concluir, queria observar que, através do engajamento no comércio intercolonial e da participação no contrabando, os brasileiros minaram o propósito do sistema mercantilista português. Eles desenvolveram uma estratégia de resistência e uma cultura de evasão que nem a coroa nem os conselhos metropolitanos puderam vencer. Um aspecto deste processo foi que os negociantes, fazendeiros e mercadores residentes no Brasil ficaram independentes das fontes de capitais em Portugal.

Assim, mais capital gerado no Brasil ficava no país, o que se traduziu num sentimento crescente de confiança entre os brasileiros. Criavam-se assim condições que foram determinantes para os movimentos em favor de idéias separatistas. De fato, ainda na época colonial, o Brasil exercia uma independência e um autodeterminismo que teve repercussões desde o Cabo da Boa Esperança ate o Extremo Oriente.

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O livro:

“Escravos e Libertos no Brasil Colonial”, de A. J. R. Russell-Wood. Tradução de Maria Beatriz de Medina. Editora Civilização Brasileira. 420 págs. R$ 49,90

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Flavio Moura
É jornalista e crítico literário.

1 - Uma versão reduzida desta entrevista foi publicada no suplemento “Mais!”, da “Folha de S. Paulo”.

 
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