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política
PORTO ALEGRE
Diário do Fórum Social Mundial “Negros no Brasil estão no subtudo”, diz manifestante. No acampamento, o cansaço começa a tomar conta O Fórum Social Mundial é uma caixinha de surpresas. Nunca se sabe exatamente quando uma manifestação vai eclodir, quando um ato vai se desenrolar. O jeito é ficar de olhos bem abertos. Em um dia no qual grande parte dos participantes se dirigiram ao ginásio Gigantinho para ouvir o discurso do presidente venezuelano Hugo Chávez -o ginásio ficou lotado e muitos tiveram que assistir tudo por um telão fora do ginásio-, manifestações a favor do Iraque e a favor da igualdade racial aconteceram no Fórum Social Mundial. Este último aconteceu por volta das dez da noite dentro da Usina do Gasômetro, onde, entre outras coisas, está a sala de imprensa do Fórum. Cerca de 50 afrodescendentes carregavam uma bandeira com a frase “Movimento hip hop pela transformação social” e gritavam gritos de guerra contra o racismo no Brasil. Para a afrodescendente carioca Mariana Ferreira de Almeida, 21 anos, a participação negra no Fórum Social Mundial foi bastante restrita. Ela diz que a restrição se deve “à questão da renda, visto que chegar e ficar aqui demanda um custo, e a população negra é predominantemente pobre”. Também se deve ao fato da população estar tão marginalizada, “no 'subtudo' -subemprego, submoradia- que nem tem acesso, conhecimento e consciência para estar em um espaço de busca de alternativas e experiências”.
Domingo, dia 30 de janeiro, penúltimo dia do 5º Fórum Social Mundial. Hora de arrumar as malas, despedir dos amigos que encontrou nas rodinhas de violão e correr atrás de suvenires do evento e de Porto Alegre. Bolsas de couro, sapatos, sandálias, brinquedos para crianças, agendas, revistas, livros, cuias para fazer chimarrão, óculos escuros, calças, brincos, braceletes, chaveiros, DVDs, CDs e tantos outros objetos podem ser encontrados nas barracas ao longo da orla do rio Guaíba. Não faltam também camisetas do Fórum. De todas as cores, elas custavam R$ 20 no início da semana. Agora, passaram para R$ 7. Os vendedores ambulantes aproveitam a presença das milhares de pessoas, entre brasileiros de outras regiões e estrangeiros, para vender e obter lucros. Roni Rodrigues da Silveira, que mora na cidade de São Leopoldo (a 40 km de Porto Alegre), montou um estande próximo a um dos prédios de maior movimentação do Fórum Social Mundial, a Usina do Gasômetro. “A minha única atividade no Fórum é mesmo o trabalho. Vim pra cá só pra trabalhar, vender o meu produto artesanal”, diz Roni que, durante o resto do ano, vende seus produtos em outro lugar de Porto Alegre. Visto que há muitos estrangeiros no evento, os vendedores se desdobram. “Como os estrangeiros procuram falar a nossa língua, tudo fica mais fácil. São pessoas bem legais”, conta Ana Paula dos Santos, que vende pastel, água, refrigerante e cerveja. Para ela, trata-se de “um trabalho mais divertido do que trabalhoso”. Os turistas também parecem contentes. Param em diversas barracas, comparam preços e compram uma série de objetos para guardar como lembrança ou para usar como acessório no corpo. A inglesa Zoe Hopkins, embora considere que os produtos estejam mais caros do que na Bolívia, onde vive agora, disse que os compra porque são “diferentes”. Em um evento no qual muitos acreditam que um outro mundo só será possível sem o capitalismo, todo esse comércio no Fórum poderia soar irônico. Zoe acha que não. “A compra desses produtos vendidos na rua não combina com o capitalismo, pois a maioria dos vendedores são independentes, da região mesmo e não estão conectados com as companhias multinacionais”, diz.
Depois de cinco dias de Fórum, os efeitos do cansaço já começam a ameaçar a disposição dos participantes. É comum ver pessoas cochilando durante as palestras -alguns chegam a arranjar algum canto dentro da tenda para colocar seu colchonete e dormir- e procurando sombras para fugirem do sol forte. Não é à toa que, segundo os vendedores ambulantes, água e cerveja estão sendo os produtos mais vendidos no Fórum. Alguns dizem que o cansaço tem sido provocado pela falta de sono. Outros dizem que a falta de um banho “verdadeiro”, aliada à intensa programação do Fórum e do Acampamento, tanto diurna quanto noturna, esgotam as energias dos participantes. A verdade é que a grande maioria dos acampados quer uma cama e um banho de verdade. link-se Alan de Faria
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