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Peter Pál Pelbart “Acho que só devemos ler a espécie de livros que nos ferem e trespassam. Se o livro que estamos lendo não nos acorda com uma pancada na cabeça, por que o estamos lendo? Porque nos faz felizes, como você escreve? Bom Deus, seríamos felizes precisamente se não tivéssemos livros e a espécie de livros que nos torna felizes é a espécie de livros que escreveríamos se a isso fôssemos obrigados. Mas nós precisamos de livros que nos afetam como um desastre, que nos magoam profundamente, como a morte de alguém a quem amávamos mais do que a nós mesmos, como ser banido para uma floresta longe de todos. Um livro tem que ser como um machado para quebrar o mar de gelo que há dentro de nós. É nisso que eu creio.”
Impressão de ouvir ao vivo a voz de quem captou os movimentos subterrâneos do século. Puras pérolas. Para se ler em paralelo com os diários de Kafka e, obviamente, com o conjunto de sua obra única.
A embriaguez vertiginosa, para dar conta daquilo que corta ao meio e irremediavelmente o fio de uma vida. Velocidade comparável ao Moby Dick, de Melville. O tema principal, como diz o autor, é o terror que inspiram ao homem suas próprias forças interiores.
Um livro sobre amizade e inveja, escrito num ritmo ofegante, alucinatório. O autor austríaco aciona sua metralhadora giratória contra a sociedade burguesa -e como em toda sua obra, é a literatura a serviço da extinção, isto é, da salvação.
A voz quase inaudível que devolveu à escrita sua natureza descontínua, fragmentária, impessoal, plural. Com seu estilo evanescente e inimitável, que marcou a geração do pós-guerra francês, Blanchot inaugurou uma modalidade de pensamento.
O mais digno testemunho literário sobre os campos de extermínio nazistas. Para se ler em paralelo com a tese recente de Giorgio Agamben sobre o campo como paradigma político da atualidade, em Homo Sacer I: O Poder Soberano e a Vida Nua (UFMG, 2002).
Espécie de manifesto pós-situacionista, traça um dos mais cáusticos retratos do homem comum contemporâneo em seu ocaso niilista. Assinado pelo coletivo anônimo (recusam-se a indicar o nome dos autores) da quase inencontrável revista “Tiqqun”.
Leitura originalíssima das mutações na produção e sociabilidade contemporâneas, a partir de um teórico quase esquecido: Gabriel Tarde. Pode ser lido como complemento (e contraponto) ao portentoso Império, de Negri e Hardt -ambos instrumentos preciosos para se pensar a resistência hoje.
Minha “caixa de ferramentas” predileta, fonte inesgotável de conceitos e associações. A filosofia transversalizando múltiplos campos, vampirizando-os e os fecundando. Como toda a obra de Deleuze, é a liberdade do pensamento em ato.
Os pequenos textos sobre loucura, prisões, medicina, poder, literatura, homossexualismo, revolução -escrita cintilante e generosidade ímpar, para deliciar-se e usar.
Mina de ouro, filosófica e literária, onde o pensador vai até o limite de suas intuições -um experimento transfigurador.
O livro mais ilegível e arrebatador da história da filosofia. Sibilino, diamantino -o pensamento em estado puro. O ápice inassimilável da filosofia -a imanência. Peter Pál Pelbart
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