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Nasceu no Rio de Janeiro, em 1958. Participou do grupo Cooperativa de Poetas nos anos 1980 e publicou a coletânea de poesias “Sobre o Sol” (UFRJ, 1986). Sua obra mais famosa, “Cidade de Deus” (Companhia das Letras, 2002), conta a história da favela carioca Cidade de Deus no decorrer de algumas décadas, a partir da mudança de perfil do crime local: dos assaltos de pequeno porte, passando pelos primeiros traficantes de cocaína, chega à consolidação do narcotráfico como poder dominante dos morros no Rio. Lins, além de ter passado a infância na favela, colheu depoimentos no local sob o comando da antropóloga Alba Zaluar. O resultado ele transformou na ficção que tem como personagens Cabeleira, Zé Pequeno, Mané Galinha e outros. " O romance de estréia de Paulo Lins, um catatau de 550 páginas sobre a expansão da criminalidade em Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, merece ser saudado como um acontecimento. O interesse explosivo do assunto, o tamanho da empresa, a sua dificuldade, o ponto de vista interno e diferente, tudo contribuiu para a aventura artística fora do comum. A literatura no caso foi levada a explorar possibilidades robustas, que pelo visto existem", escreveu o crítico literário e ensaísta Roberto Schwarz, sobre “Cidade de Deus”.


RAIMUNDO CARRERO

Nasceu em Salgueiro (PE), em 1947. Desde 1966 mora no Recife. Publicou os romances “A História de Bernarda Soledade” (Arte Nova, 1975), “As Sementes do Sol” (Cepe, 1981), “A Dupla Face do Baralho” (Francisco Alves, 1984), “O Senhor dos Sonhos” (Atual, 1986), “Sombra Severa” (José Olympio, 1986), “A Viagem no Ventre da Baleia” (Tempo Brasileiro, 1986), “Maçã Agreste” (José Olympio, 1989), “Sinfonia para Vagabundos” (Estação Liberdade, 1991), “Os Extremos do Arco-íris” (Edições Bagaço, 1993), “Somos Pedras Que se Consomem” (Iluminuras, 1995, prêmios APCA e Machado de Assis) e “Ao Redor do Escorpião...Uma Tarântula” (Iluminuras, 2003); os contos de “As Sombrias Ruínas da Alma” (Iluminuras, 1999, prêmio Jabuti 2000) e a biografia “O Arco e o Escudo” (Assembléia Legislativa de Pernambuco, 2002). Em “Escorpião”, Alice deseja matar Leonardo após noite de sexo. O escritor e jornalista Esdras do Nascimento comentou, sobre a obra: "Carrero acha que personagem é elemento de linguagem. (...) Intencionalmente confunde os adjetivos, subverte a ordem dos parágrafos, intercala sofisticação com mau-gosto (...)".


RODRIGO LACERDA

Nasceu no Rio de Janeiro, em 1969. Historiador e editor, estreou na literatura com a novela “O Mistério do Leão Rampante” (Ateliê Editorial, 1995, prêmio Jabuti de 1996). Depois, vieram a novela “A Dinâmica das Larvas” (Nova Fronteira, 1996), a coletânea de contos e crônicas “Tripé” (Ateliê Editorial, 1999) e o romance “Vista do Rio” (Cosac & Naify, 2004). “O Mistério do Leão Rampante”, que tem entre seus personagens William Shakespeare, conta a história de uma inglesa no século XVII que, vítima de um feitiço, descobre no teatro a cura para sua impossibilidade de amar. O volume ganhou versão em italiano. Já o romance “Vista do Rio” é centrado na conflituosa amizade entre dois cariocas, Virgilio e Marco, a partir dos anos 1960. Sobre o volume, observou o escritor Moacyr Scliar: " ‘Vista do Rio’ é um título modesto. Vista, talvez; mas vista importante, porque os olhos que vêem são os olhos de um talentoso escritor que, com esta obra, dá um passo decisivo para a consolidação de sua obra literária".


RONALDO BRESSANE

Nasceu em São Paulo, em 1970. São do escritor os contos de “Os Infernos Possíveis” (Com-Arte, 1999), “10 Presídios de Bolso” (Altana, 2001) e “Céu de Lúcifer” (Azougue Editorial, 2003), volumes que integram a trilogia “A Outra Comédia”. Bressane publicou também a coletânea de poemas “O Impostor” (Ciência do Acidente, 2002). As histórias de “Céu” são protagonizadas por personagens como o jornalista que se isola das notícias em sua casa, alternando consumo de calmantes e estimulantes, e os DJs, prostitutas e índios que participam de rave na Amazônia. Anotou o crítico literário Manuel da Costa Pinto, sobre a obra: "‘Céu de Lúcifer’ mostra que Bressane está menos para a cosmologia dantesca do que para a escatologia, entendida em seu duplo sentido: como ‘tratado sobre excrementos’ e como discussão teológica sobre o fim dos tempos e o juízo final, incluída no título da coletânea. (...) O livro é permeado por um riso nervoso, agônico".


RUBENS FIGUEIREDO

Nasceu em 1956, no Rio de Janeiro, onde vive. Tradutor, professor de teoria literária e de português, publicou os contos de “As Palavras Secretas” (Companhia das Letras, 1998, prêmios Jabuti e Artur Azevedo, de 1999), “O Livro dos Lobos” (Rocco, 1994) e os romances “O Mistério da Samambaia Bailarina” (Record, 1986), “Essa Maldita Farinha” (Record, 1987), “A Festa do Milênio” (Rocco, 1990) e “Barco a Seco” (Companhia das Letras, 2001). Sobre “As Palavras”, a crítica e professora de literatura Beatriz Resende escreveu: "Podemos destacar a força do tema da exclusão como presença dominante". Sobre “Barco”, em que um crítico de arte oculta um segredo da infância e, ao mesmo tempo, para consolidar sua carreira defende a originalidade da obra de um pintor, Resende observou: "O que é especial nesta narrativa de securas (...) é a representação materializada, a tradução em imagens de forte poder visual de toda emoção. A consciência do abandono é um escândalo que o menino carrega".

Carolina Stanisci
É jornalista.

 
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