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Nasceu em 1968, em Cuiabá, e vive em São Paulo desde 1995. Publicou “Não Há Nada Lá” (Ciência do Acidente, 2001) e “Hotel Hell” (Livros do Mal, 2003), novelas; “Curva de Rio Sujo” (Planeta, 2003), contos; “Eletroencefalodrama”, de 1998, e “Animal Anônimo”, 2002 (poemas, Ciência do Acidente). Participou de “Geração 90: Os Transgressores” (Boitempo, 2003) e outras. Colabora com revistas como “Cult”, “Ficções” e “Ácaro”. Em “Hotel...”, chimpanzés convivem com humanos numa São Paulo em que ipês florescem o ano todo. Em “Não Há...”, integram a trama a visão de Guilherme Burgos (William Borroughs) de um livro a voar no céu e a revelação do terceiro milagre de Fátima. Segundo o escritor Cristovão Tezza: "A literatura de Terron é escancaradamente lúdica –‘Não Há Nada Lá’ é um texto que diverte e se diverte-, e, como sinal de sua geração (...) percorre todas as linguagens como quem brinca, sem se queimar com nenhuma. E, como toda boa literatura, ele nos diz menos sobre o seu assunto e muito mais sobre a diferença do seu olhar".


JULIANO GARCIA PESSANHA

Nasceu em 1962, em São Paulo, onde vive. Publicou a trilogia “Sabedoria do Nunca”, de 1999, “Ignorância do Sempre”, de 2000, e “Certeza do Agora”, de 2002, pela Ateliê Editorial, mesclando gêneros variados: aforismos, poesia em prosa, ensaios e ficções. No ensaio de “Certeza”, um narrador conta como se refugiou na escrita, citando termos tais como "vida administrada", "homem blindado" e "homem-diploma" e autores como Dostoievski, Kafka e Deleuze. O crítico Manuel da Costa Pinto observou, sobre o livro: "O caráter abstrato e solene desses aforismos freqüentemente desanda em verborragia, numa espécie de metafísica ‘naive’. (...) Sua busca de uma ‘perfuração’ da existência (uma desrealização ou desconstrução dos discursos vigentes que abrisse as portas de uma vivência pré-discursiva do outro, do estranho, do puro acontecimento antes do agenciamento do existente pela técnica) é indissociável de sua história pessoal". O autor recebeu em 1997 o prêmio "Nascente" por textos depois compilados em “Sabedoria”.

JUREMIR MACHADO DA SILVA

Juremir Machado da Silva nasceu em Santana do Livramento (RS), em 1962. Publicou os romances “Cai a Noite Sobre Palomas”, de 1995, “Viagem ao Extremo Sul da Solidão”, de 1997, e “Fronteiras”, de 1999, pela editora Sulina. Em 2003 lançou a trilogia de novelas “Mitomanias”, composta por “Nau Frágil”, “Ela Nem Me Disse Adeus” e “Adiós, Baby”, pela mesma editora. “Cai a Noite..”. conta a história de um vilarejo situado no sul do Brasil. Já “Ela Nem...”, “de Mitomanias”, é ambientada em Porto Alegre, por onde circula o casal formado por um homeopata e uma economista cujo relacionamento passional é relatado em meio a conflitos com patrões, amigos, assaltantes e outros personagens. "O escritor gaúcho embrenha-se na sua caminhada mais visceral: a catártica viagem pelas próprias veias", anotou o jornalista Álvaro Laranjeira, sobre a prosa de Machado da Silva. Jornalista e professor de comunicação, o escritor é autor de ensaios e reportagens, como “A Noite dos Cabarés”, publicada pela editora Mercado Aberto, em 1991.


LUIZ ALFREDO GARCIA-ROZA

Nasceu em 1936, no Rio de Janeiro, onde vive. Formado em psicologia e filosofia, tem extensa obra na área de psicanálise. Na ficção, publicou os romances policiais “O Silêncio da Chuva”, “Achados e Perdidos”, de 1998, “Vento Sudoeste”, de 1999, “Uma Janela em Copacabana”, de 2001, “Perseguido”, de 2003, pela Companhia das Letras. As narrativas partem de algum crime ocorrido no Rio que deverá ser solucionado pelo delegado Espinosa, como em “Uma Janela...”, em que uma mulher presencia um assassinato da janela de seu apartamento em Copacabana. "O encantamento de lugar é uma das tantas marcas do gênero policial, que Garcia-Roza pratica com desenvoltura. ‘Uma Janela…’ não é só a história de uma janela mas a mesma concentração de sentidos num ponto particular do espaço", escreveu Arthur Nestrowski, professor de literatura, editor e crítico, sobre o volume. Garcia-Roza tem sua obra de ficção publicada nos Estados Unidos, Itália, Espanha e outros países.


LUIZ RUFFATO

Nasceu em Cataguases (MG), em 1961. Vive em São Paulo desde 1991. Publicou as coletâneas de contos “Histórias de Remorsos e Rancores” (1998) e “Os Sobreviventes” (2000, vencedor do Casa de Las Americas) e o romance “Eles Eram Muitos Cavalos” (2001, prêmios APCA e Machado de Assis), pela Boitempo. Em 2002 lançou, pela mesma editora, as poesias de “Máscaras Singulares” e os ensaios de “Os Ases de Cataguases” (Fundação Francisca de Souza Peixoto). As narrativas dos contos revelam os percalços na vida de trabalhadores pobres, ou da pequena classe média, de Cataguases e imediações. No romance o escritor esboça o retrato de um dia na vida paulistana a partir de personagens variados: assaltantes, seguranças, médicos. Sobre a obra, escreveu a jornalista Ângela Leite de Souza: "O que o autor realmente pretende é contar ´pelo avesso´ como se deu, em nome de um alegado desenvolvimento econômico, a proletarização de Cataguases (e, por extensão, de todo o Brasil periférico)".


MARÇAL AQUINO

Nasceu em Amparo (SP), em 1958. Vive em São Paulo desde 1986. Estreou como poeta (“Por Bares Nunca Dantes Naufragados”, RG Editores, 1985) e passou pela ficção infanto-juvenil. Publicou os contos de “As Fomes de Setembro” (Estação Liberdade, 1991, prêmio Nestlé de Literatura), “Miss Danúbio” (Scritta Editorial, 1994), “O Amor e Outros Objetos Pontiagudos” (Geração Editorial, 1999, ganhador do Jabuti), “Faroestes” (Ciência do Acidente, 2001) e “Famílias Terrivelmente Felizes” (Cosac & Naify, 2003). Como romancista lançou “O Invasor” (Geração Editorial, 2002) e “Cabeça a Prêmio” (Cosac & Naify, 2003). Em “Famílias”, há tipos como o que lamenta a vida que seu tio, morto no hospício, não teve. Em geral, porém, os personagens de Aquino têm alguma relação com a periferia e o crime, como os engenheiros que contratam o matador de “O Invasor”. Para o escritor Flávio Moreira da Costa, Aquino -que roteirizou “O Invasor”, “Os Matadores”, “Ação entre Amigos” (dirigidos por Beto Brant)- é "um contista da marginalidade atual, ou seja, do brasileiro abandonado à própria sorte e da violência na periferia urbana".


MARCELINO FREIRE

Nasceu em Cidade de Sertânia (PE), em 1967. Vive em São Paulo desde 1991. São de sua autoria as coletâneas de contos “AcRústico” (Edição do Autor, 1995), “Angu de Sangue” (Contos, Ateliê Editorial, 2000) e “BaléRalé” (Ateliê Editorial, 2003), além dos aforismos das duas edições de “eraOdito” (Edição do Autor, 1998 e Ateliê Editorial, 2002). O escritor participou de coletâneas como “Geração 90: Manuscritos de Computador”, 2001, e “Geração 90: Os Transgressores”, de 2003, da Boitempo. Colaborou em jornais e revistas, como “Jornal do Commercio” e revista “Etcetera”, e edita a revista “PS:SP”. Em “Angu”, as histórias são quase sempre protagonizadas por miseráveis: favelados buscam alimento no lixo do Recife e a mãe entrega a filha pois não pode criá-la. "Nunca resolvida, a luta de classes retorna obsessivamente como batalha sangrenta, cíclica e cotidiana; a morte ora é produto final da generalização do crime nos âmbitos público e privado (no conto cujo título dá nome ao volume)", escreveu o jornalista Gilberto F. Martins, sobre o livro.


MARCELO COELHO

Nasceu em São Paulo, em 1959. Desde 1990, é colunista da “Folha de S. Paulo”. Mestre em sociologia, o autor já publicou ensaios e ficções infanto-juvenis. Estreou, na ficção adulta, com o romance “Noturno” (Iluminuras, 1992). Em 1998, lançou a novela “Jantando com Melvin” (Imago). A novela tem como narrador Mauricio, advogado e escritor ocasional que descreve com sarcasmo e muita digressão um jantar oferecido ao regente e compositor norte-americano Melvin Bronstein, no bairro paulistano do Sumaré. Como os outros convidados, o narrador integra a classe média alta e intelectualizada da cidade. "Quem sabe não busque esta exacerbação bufa do humor de ‘Jantando com Melvin’ dar figuração aos retorcidos meandros do inconsciente de uma classe média cujo bovarismo, não obstante sonhar com a utopia de um Brasil capital Miami, teme os dentes aguçados do lobo mau da globalização", escreveu sobre a obra o poeta e ensaísta José Paulo Paes (1926-1998).


MARCELO MIRISOLA

Nasceu em 1966, em São Paulo. Publicou “Fátima Fez os Pés para Mostrar na Choperia” (Estação Liberdade, 1998), “Herói Devolvido” (Editora 34, 2000), de contos, os romances “O Azul do Filho Morto” (2002) e “Bangalô” (2003), pela editora 34, e a novela “Acaju, a gênese do ferro quente”, na revista “Cult”. As histórias, ambientadas em praias, pensões e casas de classe média entre São Paulo e Santa Catarina, são às vezes assinadas com o prenome "Marcelo". O último romance é narrado por escritor confinado em bangalô de Florianópolis que proclama seu auge criativo e rememora personagens como as gêmeas Joana e Janaina, participantes de orgia, e a prostituta Cleópatra, contratada por telefone. Sobre “Bangalô”, o escritor Ricardo Lísias ressaltou: "O jogo formal do habilidoso escritor cria (...) registros misturados e reflexões incompletas inventam amores interessados e afetos cheios de mutilação".


MILTON HATOUM

Nasceu em 1952, em Manaus, e hoje vive em São Paulo. Escreveu os romances “Relato de um Certo Oriente” (Companhia das Letras, 1989, prêmio Jabuti 1990) e “Dois Irmãos” (Companhia das Letras, 2000, prêmio Jabuti 2001) e os poemas de “Amazonas: Palavras e Imagens de Um Rio Entre Ruínas” (Livraria Diadorim, 1979). “Dois Irmãos” é narrado por um homem adulto que relembra os conflitos de sua infância passada na casa de imigrantes libaneses em Manaus. “Relato” traz a história de uma família narrada por uma mulher que retorna a Manaus. "O Amazonas e, dentro dele, Manaus, não é simples cenário para uma ficção: Hatoum consegue o que se configura em escritores do Sul norte-americano e do chamado Terceiro Mundo: a narrativa desse espaço sociocultural", escreveu o crítico e professor de literatura Luiz Costa Lima sobre o escritor, cujos romances já foram publicados nos Estados Unidos, Espanha e outros países.


NELSON DE OLIVEIRA

Nasceu em Guaíra (SP), em 1966, e vive em São Paulo. Publicou “Fábulas” (Secretaria de Cultura do Estado, 1989, "Casa de las Americas" 1990), “Os Saltitantes Seres da Lua” (Relume-Dumará, 1997), “Naquela Época Tínhamos um Gato” (Companhia das Letras, 1998), “Treze” (Ciência do Acidente, 1999), “Às Moscas, Armas” (Catatau, 2000), “O Filho do Crucificado” (Ateliê Editorial, 2001, prêmio APCA) e “Sólidos Gozosos & Solidões Geométricas” (Record, 2004), de contos. E os romances “Subsolo Infinito” (Companhia das Letras, 2000), “A Maldição do Macho” (Record, 2002), além de ensaios e ficções infanto-juvenis. O casal que toma injeções para a libido e os suicidas que conversam enquanto caem de um prédio povoam as narrativas de “O Filho”. Sobre o livro, comentou o escritor Ricardo Lísias: " Diferentes na temática e nos procedimentos narrativos, as histórias têm em comum (...) situações de conflito que, acumuladas, denunciam a fragilidade dos laços, normalmente familiares, que unem esta e aquela personagem".


NUNO RAMOS

Nasceu em São Paulo, em 1960. Artista plástico de carreira reconhecida, Ramos sempre se interessou por literatura, chegando a participar de grupos de vanguarda poética ao lado de artistas como Arnaldo Antunes. Publicou “Cujo” (Editora 34, 1993), de poesia em prosa, e depois a coletânea de contos, quase poemas em prosa, “O Pão do Corvo” (Editora 34). “O Pão...” traz narrativas por vezes de poucos parágrafos, sempre se referindo ao universo dos sentidos: cheiros, texturas, gosto. “Cujo”, por sua vez, inclui fragmentos poéticos e breves definições como a do próprio título: "Qualquer pessoa, indeterminada ou de quem não se quer dizer o nome; sujeito indivíduo, fulano, camarada, cara; dito cujo". Sobre a obra, escreveu o jornalista Roberto Comodo: "Um verdadeiro objeto não-identificado, o livro (...) flutua entre a prosa e a poesia, numa ambigüidade de gêneros, em perturbadores fragmentos de textos, notas motes e reflexões".


PAULO LINS

 
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