2

A indústria da construção é um perfeito exemplo de indústria que está apoiada nos velhos modos de construir que vimos trazendo conosco há centenas de anos. A dependência desnecessária da madeira, por exemplo, pode facilmente ser substituída por concreto. Venho inventando e visualizando algo chamado biotijolo, que é um módulo ecológico que nos permite construir casas que são mais sensíveis à flora e fauna naturais que existem em diferentes zonas ecológicas. Em essência, o biotijolo seria uma espécie de abrigo e anfitrião que permitira que a flora e a fauna naturais existissem na pele do tijolo. O tijolo também permitiria que a flora e a fauna acessassem os fluxos vindos do interior do abrigo da casa.

No processo de pesquisar essas questões, descobri o livro de Ken Yeang sobre o arranha-céu verde e comecei a criar modelos de arranha-céus que seriam eficientes em termos de energia e nos permitiriam deixar uma parte maior da natureza intocada pela habitação humana. Esses arranha-céus teriam capacidades solares passivas e seriam módulos auto-suficientes com turbinas a vento nos telhados.

Seria fantástico criar um instituto onde artistas, cientistas e visionários pudessem reunir-se e fazer perguntas relevantes sobre o rumo da tecnologia e que implicações essas tecnologias poderão ter na saúde de nosso planeta a longo prazo.

O que você espera que seu trabalho ou a tecnologia lhe permitam alcançar dentro de dez anos?

Rinaldo: Obter um sistema que crie um verdadeiro relacionamento simbiótico entre uma criatura biológica e uma máquina que compreende inteligentemente as necessidades daquela máquina biológica.

Terminei um novo trabalho chamado "Augmented Fish Reality" (realidade dos peixes ampliada) que é uma instalação interativa de esculturas-aquário robóticas com rodas, projetada para explorar a comunicação interespécies e transespécies. Esses novos robôs foram um importante passo nessa direção. O melhor nome para esses trabalhos seria “esculturas biocibernéticas" que permitem que os peixes de briga usem hardware e software de inteligência para mover seus aquários robóticos.

Como acontece com muitos peixes, os peixes Betta têm olhos que permitem que eles enxerguem a grandes distâncias fora da água. Eles têm a capacidade de mapear mentalmente seus ambientes para encontrar alimento e evitar predadores. Acredito que projetando o sistema apropriado, os peixes dourados descobrirão a interface e escolherão usá-la para movimentar os aquários enquanto interagem com seu ambiente e uns com os outros.

Esse projeto usará sensores infravermelhos precisos ao redor e embaixo de cada aquário. Ao nadar para a beirada do aquário, os peixes ativam rodas motorizadas que movem os robôs naquela direção. Os humanos interagem com a obra simplesmente entrando no ambiente. Lâmpadas por baixo de cada aquário manterão plantas e bactérias para limpar o aquário principal e prover oxigênio para o peixe dourado.

O Museu Kiasma, em Helsinque, Finlândia, encomendou sua instalação de escultura robótica "Autopoiesis". Além disso, quem mais está interessado em financiar seu trabalho? E por quê?

Rinaldo: Museus e festivais têm demonstrado um tremendo interesse no trabalho e eu venho expondo "Autopoiesis" pelo mundo desde que foi concluído, em 2000. Isso tem sido uma bênção e uma maldição, já que todo mundo quer expor este trabalho. Comecei a dizer não a museus e centros de arte agora que desenvolvo novas obras. Mas é empolgante ver a demanda pelo trabalho. Este ano terminei o "Augmented Fish Reality", uma encomenda da cidade de Lille, que consiste em cinco esculturas que são dirigidas por peixes de briga, e estará exposta na França a partir de 10 de março de 2004, como parte de uma mostra de robôs com curadoria de Richard Castelli, da Epidemic.

Você vê seu trabalho desempenhando um papel funcional na sociedade?

Rinaldo: As máquinas-arte não são funcionais no sentido tradicional da palavra, como produto -mas robôs de arte e pesquisas são um ótimo campo para explorar, pesquisar e criticar nossa compreensão atual do que podem ser máquinas inteligentes. Vejo a principal função de meu trabalho como sendo uma crítica das práticas artísticas atuais. Eles são pesquisas de novas interfaces e metodologias da programação artificial da vida que se manifestam. Também são projetados para criar uma experiência estética na qual o observador sente-se feliz e encontra beleza e diversão no processo.

link-se
Ken Rinaldo - http://accad.osu.edu/~rinaldo/

Roberta Alvarenga
É pesquisadora visitante da Ohio State University (EUA) e aluna do curso de tecnologia e mídias digitais da PUC-SP.

 
2