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Da maneira como ele se apresenta, esse CD-Rom pode ser fonte de novas leituras e de nova compreensão da obra. Ele está organizado a partir de uma pagina de índice , que permite ao leitor se orientar. No centro, o essencial do dossiê genético, ou seja, o conjunto de notas, de rascunhos e manuscritos que pudemos juntar, que traçam a gênese do livro e são testemunhos de sua escritura até o momento da publicação.

Em torno desse dossiê genético se encontram dossiês anexos e complementares, concernentes, por um lado, a uma parte da pré-história e da história da obra, por outro, ao próprio emprego dos recursos do CD-Rom.

Quanto à pré-historia de “Os Subterrâneos do Vaticano”, encontramos principalmente documentos preparatórios, peças fundamentais do dossiê genético que agrupam recortes de jornal, pequenas notas de natureza bastante variada escritas sob efeito da inspiração em páginas de cadernetas ou em diversas folhas soltas, que formam um espectro apaixonante de todas as virtualidades da obra.

Encontramos ainda planos sumários ou detalhados, o que é realmente excepcional na obra de Gide; pequenos roteiros romanescos e esboços de retratos. O acúmulo dessas notas rápidas mostra o quanto o assunto dos “Subterrâneos” ocupou Gide até que ele conseguisse começar a redigir o livro.

Entre os dossiês de natureza crítica e histórica, há uma apresentação geral de “Os Subterrâneos do Vaticano”, com sua história e características principais. Depois, todo um conjunto de quatro dossiês científicos: contexto, fontes, referências; gênese e publicações; recepção do livro; enfim, avatares que apresentam algumas etapas que faltam na história da obra depois de sua primeira publicação.

Neste ano o sr. publicou um novo livro de crítica sobre a obra de Gide, “André Gide, Escrever para Viver” (“André Gide, Écrire pour Vivre”). São textos inéditos sobre a obra dele?

Goulet: Não, esse livro é composto essencialmente de artigos já publicados, a maior parte já há bastante tempo, e a parte de textos inéditos é bastante restrita. Mas o conjunto, tal qual ele se apresenta, oferece uma nova imagem da obra de Gide, inicialmente, pela longa introdução centrada no que indica o título, ou seja, que Gide precisou realmente escrever para poder viver, para poder se sentir viver e que toda sua vida se concentra nas reflexões que formam seu diário, diário que é a própria matriz da obra.

Os onze artigos que foram escolhidos pelo editor apresentam uma série de estudos sobre as características diferentes da obra de André Gide ou diferentes aspectos de obras particulares, de “Paludes” até “Novos Alimentos” (“Nouvelles Nourritures”).

Além disso, do ponto de vista da metodologia crítica, cada um deles propõe uma perspectiva ou um método crítico especifico, adaptado a seus objetos sucessivos. Na verdade, é à leitura e à releitura de toda a obra de ficção de André Gide que convida essa obra.


Guilherme Inácio
É doutorando em literatura francesa pela USP.

 
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