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Assim, acessórios, objetos, cenários e figurinos devem ser compreendidos em seu sentido real, não aludem a uma outra realidade, não "representam". Em detrimento da verossimilhança, Artaud preferiu a veracidade, que libera o teatro do artificialismo sem implicar no realismo.

De modo similar, o "Homem-carne" não utiliza o corpo como suporte (um dos preceitos da Body art), mas recoloca a vida no interior da arte. Como não realiza ensaios há o reencontro com a ação primeira, com o gesto inaugural. O acaso e o inusitado brotam com a entrada do outro, verdadeira alteridade. As "performances" da Laura Lima nos mostram que a arte contemporânea não se sujeita a um manual de boas maneiras.

Cauê Alves
É mestrando em filosofia pela FFLCH-USP, bolsista da Fapesp e integra o grupo de Estudos do Centro Universitário Maria Antonia.

 
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