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Busca Bacana
Por Giselle Beiguelman



Divulgação

Programas alternativos trazem o prazer da pesquisa à rotina das buscas

Deletei as pautas, me desinteressei de todas. Deu branco. Ou “verde-amarelo”, sei lá. É uma overdose de Copa, e realmente é demais esse negócio de ser “penta”, mas não vamos levar tudo tão ao pé da letra, certo?

O remédio é correr atrás de uma idéia. Pesquisar e encontrar sites bacanas, coisas interessantes que acontecem on line. Fuçar, caçar, perceber uma novidade, emplacar uma descoberta e, para não fugir do chavão inevitável, marcar aquele golaço...

Mas pesquisar na web é um pouco chato. Quer dizer, para quem gosta de pesquisar, com tudo que o verbo nos dá direito: um mix de prazer e conforto, daqueles que se tem quando é permitido circular entre as estantes de uma biblioteca ou caminhar entre as fileiras de um arquivo, seja ele público ou privado.

Tá certo, bisbilhotar o acervo de um museu ou galeria que não está em exposição é supremo. Melhor que isso, só dois disso ou conferir o que está chegando em um sebo para decidir o que vai para a prateleira e o que vai para o lixo.

Já fiz disso tudo um pouco e não sei ainda o que é mais gostoso. Mas posso assegurar que todas essas coisas reservam surpresas que nenhum Google, Alltheweb ou afim pode nos dar.

Roda, roda, roda, clica, clica, clica e tudo que se encontra são pilhas e mais pilhas de endereço que, à primeira vista, parecem ser todos iguais.

Furnes, o memorioso, protagonista de um conto de Borges, certamente adoraria essa experiência. Afinal, é informação seqüencial e descontextualizada que se apresenta sem demandar qualquer esforço de imaginação.

Falei bastante, na última coluna, sobre o netsong, o programa de busca que canta os resultados de forma inusitada, mas como é totalmente inusitado, serve mais para se ter a sensação de ser devorado do que a de decifrar aquelas esquinas mais escondidas que os grandes guias de cidades -on line e off line- às vezes nos revelam.

O Very Busy é sem dúvida um dos mais bacanas nessa categoria. Trata-se de um diretório especializado em web arte e novas mídias. Alemão, é prá lá de eficiente. Muito mais que o Khan -desculpe, leitor, foi inevitável, de novo.

Com aquele espírito Bauhaus que apenas o melhor de Berlim tem, toda informação que se encontra aí é confiável, explícita, coerente e referendada pela técnica, imagem e função.

Permite upload da home page que você escolher, busca por mídia, artista, tema e palavra-chave. Que mais você quer?

Ah, quer algo mais saboroso, que responda com contradições, pois já aprendemos com Borges que pensar é generalizar. Talvez partindo desse pressuposto, um grupo francês tentou transformar a empreitada da busca na web em programa rizomático.

Lançado em junho, o Kartoo é um metabuscador, isso é faz a pesquisa em vários sites de busca simultaneamente, que dispõe as respostas em forma de mapas, apresentando os links entre elas.

Muito funcional, traz várias formas de personalização da pesquisa, como a escolha da interface (flash ou html), as cores da tela, os ícones de visualização, o idioma, que inclui português brasileiro (com alguns errinhos gramaticais...) e os programas que serão utilizados na consulta.

Nas respostas, além de sites sempre acompanhados por breves descrições do seu conteúdo, Kartoo traz também termos relacionados à pesquisa. Esses termos podem ser incorporados, ou descartados da pesquisa, bastando, clicar no sinal de “+” ou “-" que aparece sobre as sugestões.

Dá para conferir o histórico das buscas realizadas, salvar o mapa de resultados, enviá-lo por e-mail, marcar sites que você gostou e ser informado sobre suas atualizações e, também, disponibilizar o Kartoo em seu site pessoal, tal qual o Google e o Miner, entre muitos outros. Se não gostar de nada disso, pode pedir uma listagem em formato texto.

Para finalizar, indica, visualmente, não só a quantidade de sites encontrados, mas também de respostas obtidas em cada um dos programas de busca consultados. Uma bússola e uma lente de aumento permitem um passeio mais detalhado pela mapa de resultados.

Contudo, se a idéia for deixar o pensamento fluir mais livremente, vale a pena consultar o noware, programa desenvolvido pelo português Pedro Fernandes em 2001. Trata-se de uma ferramenta que revela mais sobre a pergunta feita do que respostas para o que se quer saber.

Inspirado pelos situacionistas, trabalha com a noção de derivação, combinando imagens arquitetônicas, paisagísticas e tecnológicas que compõem, no resultado, uma colagem de sentidos sugeridos pela sua questão.

Bom se não deu para captar o conceito do noware, por desconhecimento do que seja o situacionismo ou por incompreensão de como um programa de busca pode trabalhar com a derivação, resta sugerir que se utilize algum dos sites comentados aqui para iniciar sua pesquisa...

E chega de conselhos, análises e palavras de ordem que isso sim é algo bem “penta”.

Rumo ao hexa e tetrabraços.

link-se
Very Busy
Kartoo
Noware

Giselle Beiguelman
É professora do curso de pós-graduação em Comunicação e Semiótica da PUC-SP. Autora de "A República de Hemingway" (Perspectiva), entre outros. Desde 1998 tem um estúdio de criação digital (desvirtual - www.desvirtual.com) onde são desenvolvidos seus projetos, como "O Livro Depois do Livro", "Content=No Cache" e "Wopart". É editora da seção "Novo Mundo", de Trópico.

 
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