2

Walther-Bense: Em Weimar, eles estão resgatando ativamente a semiótica. Na Universidade de Bremen, a Faculdade de Informática também está se voltando à semiótica, para propagar uma nova cultura da mídia. Isso vem acontecendo há cerca de dez anos. Mas tudo ainda é muito rudimentar. Esse grupo em Bremen é pioneiro. Os estudos germânicos já descobriram a mídia faz tempo, mas se limitaram às relações entre a literatura alemã e o cinema, a televisão.

Em um congresso em Kassel, eu ressaltei que a base do signo é a mídia, o meio. Sem o meio que funciona como signo não dá para falar de signo. As letras são a mídia da linguagem, enquanto a TV, o filme, etc. são o aparato, o hardware, não o software. O software é a semiótica. Esta concepção de mídia depende necessariamente da semiótica. O que importa não são os aparelhos que processam e transmitem a informação: o principal é o que está sendo processado. É por isso que a semiótica está se propagando novamente. Espero que sim.

Simone Homem de Mello
É graduada em Letras na USP e mestre em literatura alemã pela Universidade de Colônia. Trabalha como jornalista, tradutora e libretista. Vive em Berlim.

 
2